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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cachê maior Para o Público


Não é novidade que o mercado fonográfico vem mudando à velocidade da luz. E, por incrível que pareça, até o conceito de "jabá" vem sendo modificado. Para quem não sabe o que é "jabá" uma breve explicação: no inicio dos anos 40, executivos de gravadoras, como Leonard Chess (que você pode ver no maravilhoso filme Cadillac Records), começaram a oferecer suborno para convencerem radialistas a tocarem músicas de negros nas rádios. Ao serem tocadas nas rádios as músicas viravam sucessos imediatamente. Isso edificou todo o esquema do mercado fonográfico, esquema que logo migrou para toda a imprensa, programas de auditório, trilhas de novelas e tudo mais o que você puder imaginar. Portanto, caros amigos, sinto em dizer que quando sua banda favorita ganha um prêmio por ser a mais tocada ou coisa parecida, esse prêmio nada mais é que fruto de um bom jabá. Não é segredo, não é teoria,nunca foi feito de forma obscura, apenas - como a maioria das coisas do mundo - passa despercebida pela maioria das pessoas e, logicamente, essas pessoas que não percebem são as que mais consomem os produtos ditados pelo tal jabá. Mas isso é outra história.

No meu texto anterior sobre o Kaiser Chiefs, relatei o conceito de rentabilizar o esforço dos fãs. E, prestando atenção vi que muitos artistas têm promovido concursos na internet, deixando para trás emissoras de tv, rádios, vendendo o peixe sem atravessadores. O cantor, compositor, instrumentista, diretor de teatro e cinema e bebedor compulsivo de Coca-cola Zero Oswaldo Montenegro está oferecendo 30 mil reais em prêmios (15 mil para o fã que produzir o melhor videoclipe para sua nova música "Eu Quero Ser Feliz Agora", com juri formado por Paulo Mendonça - diretor geral do Canal Brasil, Paulo Fontelle - diretor de cinema e TV, Paloma Duarte entre outros) e mais 15 mil para o clipe que tiver mais acessos no Youtube. Grande sacada, né? Para facilitar, pode-se utilizar qualquer recurso áudio visual. De câmeras de celular a full HD; de animação a fotografia. Para fãs e não-fãs com um pouco de sorte e talento pode ser uma experiência produtiva. Para o artista é uma nova opção de divulgação, e o melhor: sem pagar para a corrupta indústria.

Participa do concurso quem quer, acessa o vídeo no Youtube quem quer. É a democratização do jabá!



para saber mais: www.oswaldomontenegro.com.br/concurso

(Cleiton Profeta - publicado na Wazap 4)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma música por vez


Há dez anos lancei um disco. Queria muito realizar o projeto mas não tinha como bancar  um estúdio, então o gravei na sala do meu apartamento, take a take, em um MD, e mixei em um estúdio de rádio. Confesso que ficou péssimo! Muito abaixo do que as canções representariam ao vivo. Prometi para mim mesmo que o próximo seria bom.
Vieram novos projetos, novas canções e o tempo passou rápido. E hoje – 10 anos depois – tenho dois discos praticamente prontos, guardados em um HD. Mas a pergunta é: como se lança um disco em 2011?
Bandas gigantes disponibilizam seus discos gratuitamente em diversos sites (e eu acho isso ótimo!), mas vocês já reparam que, normalmente, a primeira faixa tem 30% a mais de execuções do que a segunda? A terceira faixa segue o mesmo destino e assim sucessivamente. Se a última música do álbum for a melhor será, inevitavelmente, a menos ouvida! Isso é um reflexo claro de que o público não tem mais paciência para ouvir mais que duas ou três músicas de uma vez, e raramente chega às últimas faixas. Nunca houve tanta música disponível, mas nunca se ouviu tão pouca música. O público prefere ouvir 30 segundos de dez músicas diferentes do que dar chance a duas faixas de uma banda que não conhece.
Posso, mais uma vez, estar fazendo o papel do tiozinho saudosista, mas adorei quando o Pink Floyd ganhou na justiça o direito de não permitir que sua obra fosse estraçalhada, vendida de canção em canção. Eles consideram seus álbuns uma obra completa, sendo cada música uma parte dela, assim como um filme é composto cena a cena. A escolha da música que abre, a que vem depois, a que fecha o álbum, a mixagem, o clima faixa a faixa… Tudo faz parte da concepção de uma obra fonográfica. Quem está nascendo agora terá grandes dificuldades em entender que – não faz tanto tempo assim – comprava-se um disco e o escutava por  inteiro. Depois, claro, você escolhia suas preferidas e gravava em uma K7, mas era comum encontrar o “lado B” em coletâneas pois cada um fazia a sua.
Acho que hoje, sistematicamente falando, o caminho para produtores e bandas talvez seja lançar uma música por vez.
Isso com certeza venderá muito mais que um disco lançado na íntegra.

Cleiton Profeta

Texto para a Wazap Mag