quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vôo com escala, novela, baldeação,
Indiretas, dormir cedo, ver televisão
Fila para banco, burocracia, reencarnação,
Esperar por quem se atrasa, abstenção,
Fila pra boate, deixar pra amanhã e lacração.

Para mim isso tudo é perda de tempo.


(Cleiton Profeta - 01/06/2011)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Circus Musicalis 10 Anos

Apesar do breu, vi alguns queixos caídos em uma das quatro apresentações do Circus Musicalis no teatro do Sesc de Joinville, entre sexta-feira e ontem. Não é pra menos. A excelência da banda, unida ao repertório e a direção de Cleiton Profeta, fez o tema central do espetáculo (o tempo) passar voando. Ainda bem que o esforço não foi em vão: foram quatro sessões lotadas, com direito a gente em pé. É combustível pra que o Circus Musicalis ganhe, enfim, a estrada e leve suas boas ideias a outros cantos do Estado. Outros dez anos de música e poesia parecem coisa óbvia.

Rubens Herbst

(Jornal A Notícia - 31/05/2011)

sábado, 28 de maio de 2011

Costura de CANÇÕES

Grupo Circus Musicalis retoma hoje, no Teatro do Sesc, espetáculo musical em comemoração aos dez anos do projeto

Quem já teve a oportunidade de assistir pelo menos um dos cinco espetáculos que consolidaram o grupo Circus Musicalis em Joinville, pela primeira vez, verá a banda à frente do palco. Dez anos de Circus Musicalis não é somente para marcar o ano comemorativo como para destacar o que o grupo tem de melhor: as composições.

Sem deixar a mescla de artes de lado, os músicos garantem a inserção do teatro com textos na voz do ator Muriel Szym costurando canções, e vários elementos alheios aos instrumentos, que remetem aos trabalhos passados, muitos deles revisitados em outras ocasiões. Sombras, latas e vídeos convergem “em torno da música”, termo que, em latim, ajuda a definir a proposta do grupo.

As músicas que marcaram os espetáculos “Cantos” (2001), “Cordas em Tempo” (2002), “Alegoria do Sonho” (2003), “Ao Tempo” (2005) e “Veja Você Mesmo” (2008) são relembradas, e novas composições pincelam o trabalho que está por vir. Está enganado quem acha que os quase três anos sem levar ao público os musicais abalou o futuro de Circus Musicalis. “Pão e Circus” será a próxima estreia do grupo, e o segundo CD deve vir à reboque.

Sem incentivo público, tudo é feito na camaradagem, segundo Cleiton Profeta, arquiteto de toda a miscelânea que Circus Musicalis promove no palco. “Sempre usamos o que temos à mão, o que é mais barato, trazendo pessoas que estejam a fim de participar”, diz. Foi assim com Muriel, que hoje tem papel de destaque no espetáculo. “Ele recém tinha chegado de Curitiba e nós o chamamos para participar com o que ele sabia, que era pintar. Depois foi experimentando outras coisas e se descobrindo como ator”, conta Cleiton.

Este é o maior período em que Circus ficou sem grandes apresentações. Mas a abstinência não foi total. Eles continuaram a tocar juntos, porém levando projetos paralelos adiante. O que os mantém, segundo Cleiton, é o gosto em comum pelo rock clássico e lado B da música brasileira. “O que a gente quer agora é viajar mais, chegar a outros lugares”, almeja o músico.

Cleiton forma o grupo com Fábio Cabelo, Rafael Vieira, Marcelo Rizzatti e Vagner Magalhães e não se intimida em dizer que seu trabalho não leva rótulos cults. “Porque a arte não precisa ser chata para ser boa”, argumenta.

Quem quiser conferir e comemorar os dez anos dessa mistura tem quatro oportunidades. Até segunda-feira, haverá apresentações diárias às 20 horas no Teatro do Sesc de Joinville. É preciso chegar uma hora antes para garantir os ingressos, que serão vendidos ao preço simbólico de R$ 1.

RAFAELA MAZZARO

(Jornal A Notícia - 27/05/2011)

Provocação Incansável

A provocação em sua própria concepção, o flerte com o teatro, que namora o cinema e tem um caso com a música. O Circus Musicalis completa dez anos, mas ainda está difícil defini-lo corretamente – fiquemos então com um grupo “cênico-musical”, apesar de ainda assim o termo não abraçar todos os segmentos artísticos perseguidos por Cleiton Profeta, Fábio Cabelo e companhia.
Com tamanha variação, o que esperar do espetáculo de celebração de uma década? As próximas quatro noites no Teatro do SESC pontuarão vários momentos da caminhada do Circus Musicalis. “Quem nunca viu um espetáculo nosso terá uma boa noção de como foram as outras produções”, explica Cleiton.
Essa outras produções, no caso, são “Cantos” (2001), “Cordas em Tempo” (2002), “Alegoria do Sonho” (2003), “Ao Tempo” (2005) e “Veja Você Mesmo” (2008), as heranças deixadas pelo grupo nessa breve história. Repare: lá se vão três anos sem uma nova estreia. E quem é da área sabe que desse vácuo temporal emerge uma grande novidade artística.
O show de dez anos é uma parte de tudo aquilo pensado pelos idealizadores Cleiton e Fábio nesse ínterim. Ainda esse ano, a trupe pretende estrear “Pão Circus”, um monólogo interativo protagonizado pelo parceiro Muriel Szym. Um CD também está a caminho. O espetáculo de hoje aproveita a efeméride para resgatar e reapresentar músicas, cenas e vídeos da década – seria como um nova visita que abre as portas para outras produções.
A parte musical do Circus Musicalis será representada ainda por Rafael Vieira, Marcelo Rizzatti e Vagner Magalhães. Paulinho Dias, outro responsável pelo nascimento do grupo, talvez dê uma passada pelo Teatro do SESC. A meta é levar o show para outras cidades, como uma mini-turnê comemorativa. “O legal é que podemos viajar com essa estrutura”, aponta Cleiton.
O repertório é formado por canções que foram marcantes nas peças anteriores do Circus Musicalis. Mesmo os covers, analisa Cleiton, tem significativa importância nas montagens e merecem ser novamente ouvidos. “É um espetáculo completo, com interação multimídia e a presença do Muriel. Só não terá um tema, não seguirá uma história, por isso é mais conceitual”, argumenta.

O que: show de dez anos do Circus Musicalis.
Quando: de hoje até segunda-feira, às 20h.
Onde. Teatro do SESC, rua Itaiópolis, 470.
Quanto: R$ 1, à venda uma hora antes do início do espetáculo.
Começo foi no Sesc Joinville


São dez anos de contato com o público, mas a trajetória do Circus Musicalis começou antes disso. Em 1998, Cleiton Profeta e Fábio Cabelo se uniram na tentativa de gravarem um CD – a intenção era costurar as músicas como uma história. Paulinho Dias entrou no projeto e a parte musical se transformou num show interativo, que brinca com outras manifestações artísticas.

O primeiro espetáculo, “Cantos”, foi apresentado no SESC. Mesmo palco onde começam as comemorações destes dez anos. Comemorar sim, porque Cleiton acredita numa marca já deixada pelo grupo, um estigma marcado pelo público. “Chegamos num ponto que, a cada novo espetáculo, a plateia quer novidades. Isso é bom porque até eu fico com frio na barriga, um show nunca será igual ao outro”, salienta.

EDSON BURG

(Notícias do Dia - 27/05/2011)



terça-feira, 17 de maio de 2011

Em Torno da Música


Uma existência em torno da música> Letras e melodias criadas a partir da contemplação da natureza humana. Sem regras, mas repleta de vontade de traduzir a livre expressão em arte. Essa é a vocação da banda joinvilense Circus Musicalis, formada por Cleiton Profeta, Paulinho Dias e Fábio Cabelo.
O nome veio do latim e significa algo como "em torno da música", e, por isso mesmo trio lança mão do que for necessário, porém original, na hora de se comunicar com o público. Em suas apresentações há flertes com teatro, dança, cinema e até artes plásticas. Desde 2001, com a ajuda de colaboradores, já montaram cinco espectáculos teatrais. Neles se misturam todas essas diferentes vertentes numa grande brincadeira de cores, luzes e sombras. Além desses espectáculos pontuais, a banda mantém uma agenda para shows exclusivamente musicais. Para isso, são somados Rafael Vieira, Marcelo Rizzatti e Vagner Magalhães.

ESPETÁCULOS

Cantos (2001 e 2006 - remontagem) / Cordas em Tempo (2002) / Alegoria do Sonho (2003 e 2004) / Ao Tempo (2005) / Veja Você Mesmo (2007 e 2008)

FAZENDO ARTE

 Quem pensa que Joinville é um oásis no cenário cultural do estado, por seu grande Festival de Dança - de repercussão internacional -, está enganado. A vocação industrial da cidade torna a tarefa de "fazer arte" em algo complicado. Justamente por essa dificuldade é que o Circus Musicalis se destaca ainda mais. O grupo nunca usou recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e sempre bancou seus espetáculos teatrais com patrocínios de empresas privadas ou recursos próprios. "Seria melhor que os montantes destinados a Lei de incentivo à Cultura fossem usados na melhoria da estrutura cultural da cidade, investindo em nosso teatro municipal, por exemplo", explica Cleiton Profeta. Comprovando seus esforços, a Circus lotou, por duas noites consecutivas, o Teatro Juarez Machado.

NOVO ESPETÁCULO

 Uma nova peça está sendo escrita e a previsão de lançamento é para o segundo semestre. O nome ainda é segredo, mas Cleiton revela alguns detalhes: "usaremos ainda mais os recursos de vídeo e contaremos com apenas um ator em cena", confessa. O Hippie Industrial, personagem da última peça (Veja Você Mesmo), volta para dessa vez para abordar a filosofia das mesas de bar. O roteiro está no processo de finalização, e os vídeos que serão usados na montagem já começaram a ser gravados.

(Jefferson Luchtenberg)

Publicado na revista Wazap Mag

@wazapmag

  





quinta-feira, 5 de maio de 2011

Produto Nacional


Foi em outubro de 2008 a última vez que o Circus Musicalis encantou as plateias joinvilenses com um mix de artes (música, teatro, dança, vídeo, poesia) que levava a níveis excepcionais a concepção original de Cleiton Profeta. O mesmo resolveu reativar a banda pra marcar os dez anos dela, mas num formato mais enxuto do que aquele visto há três anos. O que se verá entre os dias 27 e 30 no Sesc de Joinville é um sexteto na ponta dos cascos, revisitando canções dos quatro espetáculos montados até hoje, além de uma inédita e três versões. Não se preocupe, haverá mais pra ver – desta vez, no fundo do palco.

ORELHADA | Rubens Herbst

matéria publicada em 04/05/2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Circus Musicalis 10 Anos


O Circus está fazendo 10 anos e para comemorar a banda preparou um show com músicas de todos os projetos! Com roteiro e direção de Cleiton Profeta e participação especial de Muriel Szym!!!!
Muito além da proposta "flashback" o show dá uma pincelada no próximo musical "Pão e Circus" que terá Muriel Szym como protagonista...
O show estréia no SESC Joinville no dia 27 de Maio às 20:00h, a entrada é apenas R$ 1,00 mas é preciso chegar cedo para retirar o ingresso na bilheteria do SESC. A temporada prossegue nos dias 28, 29 e 30.
Então a gente se vê lá!!

sábado, 23 de abril de 2011

Single - Hippie Industrial

Hippie Industrial fez parte da trilha do Veja Você Mesmo, a versão do vídeo foi feita para o CD que ainda esta na gaveta, em tempos de Internet não sei se é correto mas podemos chamar essa versão de: o primeiro single do CD.
Espero que gostem...



Hippie Industrial

Composição : Cleiton Profeta


 E o tempo passou, passou, passou...
E eu fiquei vidrado na minha janela
Olhando p'rela
Sem querer saber que ela era minha novela

Hippie Industrial olha a Televisão
Hippie Industrial não pisa com o pé no chão

Eu tento perceber porque o tempo
Nos remove desse instante do presente
Que acontece sem descanso e apressado
A girar com a cabeça sem pescoço
E todo velho já foi moço
Ainda que não vá lembrar

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Revés no Ministério da Cultura

Gestão da ministra Ana de Hollanda sinaliza para postura conservadora

  Durante a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, em 2010, um dos setores sociais que mais se mobilizaram por sua candidatura foi aquele ligado à produção cultural. A política implementada pelos ministros da Cultura durante o mandato do ex-presidente Lula, Juca Ferreira e Gilberto Gil, era vista como um dos braços mais progressistas do governo. Considerando o forte enraizamento social dos produtores de cultura que apoiavam o governo, sua organização, nas ruas, em apoio a Dilma, e o significativo acesso dos militantes da Cultura Digital às mais variadas formas de comunicação, não há como negar o papel imprescindível desse setor na eleição da candidata do PT. Quando a campanha de José Serra (PSDB) adotou uma tática difamatória pela internet, por exemplo, foram essas pessoas que, por militância, saíram em defesa da petista.
Eleita, Dilma demorou a escolher o responsável por assumir o MinC. Mais de 20 nomes foram cogitados, e o movimento cultural pressionava pela manutenção de Juca, ou de outro nome próximo à mesma política. A presidente surpreendeu quando anunciou a escolha de Ana Buarque de Hollanda para a pasta. Com experiência administrativa de pouca expressão, teria sido escolhida pela proximidade com o grupo político que orbita em torno do ator petista Antônio Grassi, além de ser mulher e carioca – até então, o Ministério tinha pouca presença do Rio de Janeiro. Grassi foi nomeado por Ana presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), onde já havia atuado na gestão anterior, e de onde foi demitido por Gilberto Gil, em 2007. Movimentos como os de Software Livre, Cultura Digital e Pontos de Cultura estranharam a escolha de Ana, mas mantiveram o apoio tácito ao governo. Desde que assumiu, entretanto, a nova ministra tem sinalizado em direções que têm sido consideradas, por parte do movimento, mais conservadoras.
Primeiro, ela deu declarações de que a Reforma na Lei dos Direitos Autorais “foi discutida com a sociedade, mas não se chegou a consensos. Precisa ser novamente colocada em discussão”. O processo de discussão da reforma tomou, pelo menos, seis anos. Diversos seminários e congressos foram realizados com a participação de uma ampla gama de setores sociais. Juca deixou um projeto pronto ao novo governo. Ana de Hollanda já dera pistas de ter um posicionamento menos ousado no texto que, em 2008, ela escreveu no blog de Grassi. “Com o surgimento da internet, celulares, com seus provedores, softwares, empresas de telefonias e grandes grupos que englobam tudo acima, a criação é o elo mais fraco e fácil de se neutralizar com o irônico discurso de ‘democratização do acesso’”, postou.
Uma segunda sinalização considerada negativa pelo movimento de Cultura Digital foi a declaração de que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) não precisa de supervisão estatal. O Ecad é uma instituição privada criada por lei federal (5.988/73), o que para muitos significa uma aberração jurídica. Detém o monopólio da arrecadação e da distribuição dos direitos autorais. Pratica a cobrança rigorosa do dinheiro – inclusive em eventos como festas juninas ou infantis – e é pouco transparente na utilização desses recursos. Há setores que defendem sua extinção ou substituição. Os mais moderados apoiam apenas o óbvio, a supervisão estatal, que a ministra agora diz ser desnecessária.
No início deste mês, a ministra se reuniu com o advogado Hildebrando Pontes, vinculado ao Ecad. O encontro foi visto com muita preocupação pelos setores mais progressistas da discussão do direito autoral, ainda não recebidos pela ministra. De posições muito conservadoras, Hildebrando é cogitado para chefiar a secretaria de direito autoral. “Seria como nomear o Ronaldo Caiado [deputado federal da bancada ruralista] para o Ministério da Agricultura”, compara Pablo Ortellado, coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (GPOPAI/USP). Hildebrando já declarou que, para ele, não deveria existir o domínio público – o direito autoral deveria durar para sempre. Ele fez a defesa do Ecad em centenas de processos em distintos tribunais, entre os quais o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Foi, entretanto, uma outra medida de Ana de Hollanda a que mais polêmica gerou entre os setores culturais. O MinC substituiu, repentinamente, a mensagem de rodapé em seu site. O Ministério retirou a referência ao Creative Commons, modelo de licenciamento alternativo escolhido na gestão Gil, substituindo-a pelo texto: “O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser reproduzido, desde que citada a fonte”. Sem grandes consequências práticas, a medida tem valor simbólico, com implicações políticas e eventualmente jurídicas. “Essa frase causa diversos problemas. A nossa lei de direitos autorais é uma das mais restritivas do mundo e diferencia a ‘reprodução’ da ‘publicação’. A frase trata apenas do direito de reprodução de modo que alguém que republique os conteúdos do site do MinC no seu próprio site não está coberto por ela e viola direitos autorais”, explica Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e do Creative Commons Brasil.
Importante considerar que o Ministério de Gil e Juca era famoso, na esplanada, pelos gastos além do orçamento. O programa de maior projeção social e política do período, o Cultura Viva, por exemplo, frequentemente gastava além do planejado. Em 2010, em parte devido à campanha eleitoral, que inviabiliza certos gastos, vários pontos de cultura (unidades de produção cultural vinculadas ao programa) ficaram sem pagamento. Ana visa corrigir essas distorções, profissionalizando a pasta. E o governo Dilma deu sinalizações aos ministérios de que em seu primeiro ano pretende conter gastos.
Ortellado considera que, nesse enfrentamento, uma das ameaças mais graves seria um possível revés na política externa brasileira. “O Brasil era, de longe, o mais progressista no que diz respeito a Direito Autoral. Passou a pautar mundialmente, através do Itamaraty, a discussão do Direito Autoral vinculada ao direito de acesso, e não ao direito do autor. Até a Secretaria de Estado dos EUA chegou a criar um seminário para discutir as questões colocadas pelo Brasil”, lamenta. Os militantes já criaram um “blog protesto” na internet e buscam se mobilizar, articulando-se inclusive com os Pontos de Cultura.

Leandro Uchoas

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

É Permitido Proibir

Para Caetano Veloso não é mais proibido proibir

Tenho ficado perplexo com a coluna semanal do Caetano no O Globo. Especialmente por sua tradição de posições inovadoras e ousadas. Além de ser o grande artista que é. Foram duas crônicas falando sobre Direito Autoral de cima do muro. Linhas e mais linhas para dizer que não tinha uma posição sobre o assunto no que se refere à internet. Finalmente, esse domingo, resolveu tomar partido – não sem antes dizer que os dois lados tinham razão (como se tratasse de dois times e não de uma construção através do debate) – e saiu com essa pérola: “É porque acho que devemos respeitar os direitos autorais. Sem concessões. A internet que se vire. Ela e toda sua multidão de internautas em blogs e redes sociais que se vejam na situação de introjetar as leis da vida off-line, a nossa vida. Daqui de fora, podemos exigir.”

Resumindo: ele não entende nada sobre a internet. Primeiro porque, como ele mesmo admite, não está nela. Afinal ele quer exigir “de fora”. Se você não conhece sobre o que está falando, o provável é falar bobagem. Como essa história de que “a internet que se vire”. Ora, a internet não existe da mesma forma que uma empresa, com presidente e diretores. É um conjunto caótico e descentralizado de milhões de colaboradores sem nenhuma hierarquia. Ele teria que convencer cada um dos participantes a concordar com a tese de que as leis da vida off-line são aplicáveis ao mundo virtual. Como se os bits obedecessem às regras dos átomos. Assim é fácil resolver. Caetano não quer mais que a garotada baixe músicas sem pagar, nem veja vídeos que não estão liberados por seus autores. Ora, nem o ditador do Egito consegue controlar a internet.

Sejamos razoáveis. Para esse novo mundo precisamos de novas soluções. Bater o pé não vai adiantar nada. Se queremos receber dinheiro temos que oferecer algo que as pessoas queiram comprar. Baixar música na rede já está deixando de ser importante. E nunca resultou em receitas significativas. A garotada está migrando para o streaming, ouvindo e descobrindo música no YouTube. Mas tio Caetano não aprova. Então, garotada, vamos obedecer os mais velhos. Mesmo que esse mais velho já tenha dito um dia que “É Proibido Proibir”.


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