segunda-feira, 14 de julho de 2008

Tempo Presente


Será que todo tempo é presente ?
Será que todo riso é vilão?

Não! O passado se desbota em vão
e a lembrança guarda o tempo em mim
como um roubo sem ladrão.

Não! O presente se despede assim
e o relógio escorre pelas mãos
como um eco sem ter fim.



"Eu ainda sou bem moço
pra tanta tristeza
deixemos de coisas
e cuidemos da vida
se não chega à morte
ou coisa parecida
e nos arrasta moço
sem ter visto a vida
ou coisa parecida,
ou coisa parecida...".

(Cleiton Profeta - Belchior)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Veja Você Mesmo - Texto 1

Atendendo ao pedido de um amigo estou postando o primeiro texto do "Veja Você Mesmo". Esse texto foi escrito ano passado, porém eu havia pensado nele quando eu tinha 12 anos...


Essa história é mais velha que o tempo! Pelo menos mais velha que o tempo que eu me lembro... Se bem que eu não me lembro da maior parte do tempo do tempo que passou, ou que eu passei, ou que passamos juntos... eu e o tempo! Pensando melhor quem passou foi o tempo, eu fiquei! Eu estou aqui! Vocês podem me ver agora! Olhem para mim. Já o tempo vocês não podem ver... e sabem por que? Porque ele passou! Ta certo que o espelho mudou minha foto, ou minha cara mudou o espelho, mas o fato é que mudou e vai mudar ainda mais...
Sabem, "quando eu era criança eu achava que o céu era um lugar cheio de velhinhos e doentes, por que eu achava que a gente ia pro céu do jeito que morria. Daí eu perguntei pro meu pai e ele me respondeu com aquela sabedoria de pai: 

“Não filho, no céu todo mundo tem a aparência de trinta anos...”. 
Imaginem que legal! Trinta anos! Nem vinte e nove, nem trinta e um. Trinta! Quantos anos você tem? Trinta? Eu também tenho trinta! A minha mãe, a minha avó, a avó da minha avó, até a Hebe Camargo tem trinta anos no céu!!
Agora falando sério, de tudo que eu via sobre o céu quando eu era criança, o que mais me intrigava eram aquelas ilustrações que vinham naqueles folhetos que Testemunhas de Jeová entregam na sua casa... esses folhetos traziam ilustrações e em uma delas havia uma feliz família, num jardim paradisíaco, com um banquete enorme e lá no fundo do paradisíaco quintal uma criancinha dando uma maçã para um leão! Putz! 
Vocês não entenderam: Era uma criançinha dando uma maçã para um leão! Como pode uma criança?? Pra começar ela não tinha trinta anos... agora o pior: por que cargas d’água leões comem maçã no céu???? Era bem mais fácil ele comer a criancinha!
Sabe, e não termina aí; tem também a vez em que eu estava comendo um lindo frango assado e tornei a perguntar ao meu pai, pois criança realmente acredita ser a melhor forma de consulta: 
“Pai, galinha vai pro céu?” E a resposta ele tinha na ponta da língua: 
“Não filho, galinha não vai para o céu só nós seres humanos vamos para o céu, pois só nós temos alma.”. 
Vixi, daí tudo se complicou ainda mais: se leão não tem alma e não é ser humano como ele tava no céu? E pior ainda havia um frango assado no banquete da feliz família no quintal paradisíaco. Como esse frango foi parar lá? Ta certo que estava assado, servido e cortado; mas convenhamos outrora ele teria que ter estado vivo ciscando as minhoquinhas do paraíso, minhoquinhas que acredito eu também não tem alma... enfim.
Depois de algum tempo cheguei a minha brilhante conclusão: meu pai não entende nada de céu!" (fragmento da peça: "Veja Você Mesmo")

sexta-feira, 27 de junho de 2008

E o tempo passou, passou, passou...

Texto do espetáculo: Veja Você Mesmo

"Eu tento perceber porque o tempo

Nos remove desse instante do presente

que acontece sem descanso e apressado

a girar como a cabeça sem pescoço

e todo velho já foi moço ainda que não vá lembrar!"

Cleiton Profeta

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Ciclo


A lua se esconde nas noites escuras
deixando sozinho e soturno o céu,
passando por onde moram as estrelas,
espelho noturno com o mais negro véu,
que cai no arrebol e clareia a retina
nascido do sol o azul da piscina;

Se esconde nas noites deixando eu sozinho,
passando as estrelas no espelho mais negro,
que cai da retina a gota cristalina;

Se esconde sozinho no espelho
que cai e reflete a menina que chora e termina,
agora acorda, levanta, e sai.

(cleiton profeta)

Texto do musical - "Alegoria do Sonho".

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Mais músicas no Palco MP3!!!

Postamos mais 3 músicas do CD "Cantos" de 2001.

Inferno (tema)

(Cleiton Profeta e Fábio Cabelo)
Violões e violões com ferro: Cleiton Profeta e Fábio Cabelo
Violino: Nilson Mira
Flautas e voz: Paulinho Dias


Tempestade
(Paulinho Dias)
Violões: Cleiton Profeta
Flautas, charango, percussão e voz: Paulinho Dias
Coro: Cleiton Profeta e Paulinho Dias


A Dama de Vestal
(Cleiton Profeta e Fábio Cabelo)
Violões: Cleiton Profeta e Fábio Cabelo
Violino: Nilson Mira
Voz: Priscila Castellar
Coro: Priscila Castellar, Luisa Castellar, Cleiton Profeta e Paulinho Dias.
Circus Musicalis

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Veja Você Mesmo - texto sobre a tecnologia.


“A TV matou a janela”, mas por trás dela ainda há um mundo sem paredes, ou pelo menos havia, pois este nunca mais foi visto...
Entre o vidro e o espelho há uma fina camada a mesma camada que separa a razão da loucura. Todos lembram, mas fingem fogem e mesmo se o mundo não esteve dentro de você, você esteve no mundo e ele girou cada vez mais rápido e cada vez mais cheio!
A tecnologia se tornou uma prisão de vidro, a vida cada vez maior, cada vez menos vivida. Antes éramos escravos, agora não somos nada. Programamos o cérebro para não mais pensar, criamos algo para pensar por nós. Nos empurramos, nos pisamos e rezamos! Resmungamos e choramos escondidos... e agora é proibido chorar, cantar não pode mais e quem ousa é ridículo! É piegas...
Elvis morreu. Cristo morreu. O sonho acabou e a poesia fugiu com medo...
Todos riram ignoraram, fizeram de conta que não sabiam, mas no fundo éramos cúmplices! Fechamos à porta e já não havia janelas. Ficamos doidos mesmo que outrora rimos da loucura. Retiramos todos os quadros, todos! Não podíamos lembrar que em outro tempo existiram janelas. Desligamos as máquinas e dormimos um longo sono, tão longo quanto o tempo.
Éramos como pulgas em um cão, multiplicando como ratos! Esquecemos que éramos usuários e não proprietários. O ego divino nos transformou em insetos em pragas!
Fomos expulsos e vagamos para o nada! Tínhamos tudo, mas queríamos mais! E mais ainda era pouco! E muito mais já não bastava!
Éramos muitos! Éramos todos! Éramos diferentes, mas iguais. Brigamos pela terra e ela nos engoliu, lutamos pelo espaço e ele sempre esteve em torno de nós. Esperamos ir para o céu e ele sempre foi aqui. (cleiton profeta)
Circus Musicalis